Matriz energética brasileira

Segundo informações da ANEEL, em dezembro de 2009, o País possuía no total 2.203 empreendimentos em operação, gerando, aproximadamente, 107.241 MW de potência instalada, sendo aproximadamente 74% provenientes de hidrelétricas, 23,55% de termoelétricas, 1,9% energia nuclear e 0,67% a energia eólica. A adição de 37.407 MW na capacidade de geração do País é esperada para os próximos anos, proveniente dos 165 empreendimentos atualmente em construção e mais 435 empreendimentos com concessão e/ou autorização outorgada. Vale ressaltar que o Brasil sempre ocupou uma posição de destaque no cenário mundial no que diz respeito à hidroeletricidade, estando entre os países com maior capacidade hidrelétrica instalada. Conforme informado no Balanço Energético Nacional – BEN de 2008 elaborado pelo MME em conjunto com a Empresa de Pesquisa Energética – EPE, somente cerca de 30% do potencial hidroelétrico nacional foi explorado, já que sua maior parte se situa na Amazônia.

O Brasil é interconectado por mais de 90,3 mil km de linhas de transmissão de alta voltagem (230 kV ou mais), formando o Sistema Interligado Nacional (SIN) que atende cerca de 98% do consumo de energia do país. A capacidade instalada do parque gerador brasileiro conectado ao SIN é de 89,1 GW, da qual aproximadamente 83% é hidrelétrica. Essa capacidade instalada inclui metade da capacidade instalada de Itaipu – um total de 14.000MW detida em partes iguais pelo Brasil e pelo Paraguai. A Região Norte (Estados do Amapá, Roraima, Rondônia, Acre, Pará e Amazônia) não está interligada ao SIN, e, em razão disso, tal região é denominada de Sistema Isolado, o qual compreende 45% do território nacional, porém representa somente 7% da demanda total do país.

O Sistema Isolado é abastecido principalmente por fontes geração térmica a óleo combustível e a óleo diesel.

Para a substituição de tais fontes térmicas no Sistema Isolado por meio da implantação das PCHs, é previsto pela ANEEL o recebimento de incentivo do Fundo formado com recursos da Conta Consumo de Combustíveis Fósseis para financiar tais empreendimentos de energia renovável.

A matriz energética do Brasil atualmente se apresenta conforme o quadro a seguir:

Tipo   Capacidade InstaladaNº de Usinas (kW) %
Hidro   838 78.800.731 68,28
Gás Natural 93 10.808.812 9,37
Processo 33 1.252.483 1,09
Petróleo Óleo Diesel 805 3.871.104 3,35
Óleo Residual 25 2.030.403 1,76
Bagaço de Cana 289 4.642.515 4,02
Licor Negro 14 1.193.298 1,03
Biomarca Madeira 37 315.767 0,27
Biogás 9 44.672 0,04
Casca de Arroz 7 31.408 0,03
Nuclear   2 2.007.000 1,74
Carvão Mineral Carvão Mineral 9 1.530.304 1,33
Eólica   38 709.284 0,62
Importação Paraguai   5.650.000 5,46
Argentina   2.250.000 2,17
Venezuela   200.000 0,19
Uruguai   70.000 0,07
Total    2.199 115.407.781 100
Fonte: Banco de Informações de Geração ANEEL (www.aneel.gov.br) em 24 de fevereiro de 2010

Dados do MME prevêem uma ligeira alteração na matriz energética brasileira nos próximos anos, conforme gráficos abaixo.

Fonte: EPE – Plano Decenal 2008-2017

Resumo da Situação Atual dos Empreendimentos

Fonte de Energia Quantidade de Empreendimentos Situação Potência Associada (kW)
Eólica 43 empreendimentos Outorgada 2.120.981
Eólica 9 empreendimentos Em construção 154.400
Eólica 38 empreendimentos Em operação 709.284
Fotovoltaica 1 empreendimento Em operação 20
Fotovoltaica 1 empreendimento Outorgada 5.000
Hidrelétrica1 226 empreendimentos Outorgada 4.304.602
Hidrelétrica1 93 empreendimentos Em construção 11.327.866
Hidrelétrica1 838 empreendimentos Em operação 78.800.731
Maré 1 empreendimento Outorgada 50
Termelétrica2 164 empreendimentos Outorgada 13.565.950
Termelétrica2 63 empreendimentos Em construção 5.927.811
Termelétrica2 1.326 empreendimentos Em operação 27.730.687
Fonte: Banco de Informações de Geração ANEEL (www.aneel.gov.br) em 24 de fevereiro de 20101 CGH, UHE e PCHs

2 UTE e UTN

Nesta evolução, os projetos já desenvolvidos no Brasil atualmente concentram-se na utilização das fontes hidrelétricas e termoelétricas de geração de energia, com o uso também de fontes eólicas, fotovoltaicas e de maré, em menor escala.

Segmento de Geração de energia elétrica no Brasil

A fonte hidrelétrica possui grande vantagem competitiva no país, por se tratar de um recurso renovável e passível de ser implementada e atendida pelo parque industrial brasileiro com mais de 90% de bens e serviços nacionais. Além do que, ao possuir uma das mais exigentes legislações ambientais do mundo, é possível ao Brasil garantir que as hidrelétricas sejam construídas atendendo aos ditames do desenvolvimento sustentável.

As centrais de produção de eletricidade são objeto de concessão, autorização ou registro, segundo o enquadramento realizado em função do tipo de central, da capacidade instalada e do destino da energia. Segundo o destino da energia, as centrais de produção podem ser classificadas como:

  • Produtores cuja outorga de concessão especifica que a energia produzida destina-se ao serviço público de eletricidade;
  • Produtores independentes (assumem o risco da comercialização de eletricidade com distribuidoras ou diretamente com consumidores livres); e
  • Auto-produtores (produção de energia para consumo próprio, podendo o excedente ser comercializado mediante autorização).